segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

O meu livro preferido


Eu sei que é preconceituoso, arrogante e ridículo da minha parte, mas tenho sempre uma pequena desilusão quando alguém me responde que não tem um livro preferido. É ridículo porque eu não tenho um filme preferido ou uma música preferida, e acredito que sejam indicadores de personalidades tão importantes como o meu livro preferido, no entanto para mim  a leitura ecoa de uma maneira que nenhum dos outros favoritos se pode comparar. Para mim não ter um livro preferido é um indicador de que não falamos a mesma língua. 

Com isto o que quero dizer, é que para mim o livro, da mesma maneira que diz muito sobre o autor, na minha opinião também diz muito sobre o leitor. Da maneira em que se relaciona com as suas experiencias ou fala às suas sensibilidades. Por isso para mim partilhar e falar sobre a sombra do vento é mostrar um pouco de mim, daí esta conversa toda. E claro, descobrir o livro preferido de alguém é como espreitar pela fechadura da porta do que é essa pessoa.

A sombra do vento é um romance passado em Barcelona na primeira metade do século XX. A linha da narrativa segue Daniel Sempere, o filho do dono de uma livraria, e conta a história do cemitério dos livros esquecidos, a história de Julian Carax, um escritor desaparecido e a história da vida em Barcelona. É uma história de perda e de amor, é uma história que nem sempre acaba bem, é uma história que é complicada. Não é uma história feliz, não é triste, ou pelo menos não totalmente, mas não é feliz.  É uma história que eu não consigo explicar sem a contar, e eu não a conseguiria contar tão bem como o autor, portanto acho que é melhor não tentar.

Encontrei este livro por acaso, estava aborrecida na biblioteca, e fiz aquilo que todos nos dizem para evitar, julgar um livro pela capa. Verdade seja dita, foi primeiro pelo nome, depois pela capa, e depois pelo pequeno resumo na contracapa. Comecei a ler, e voltei no dia a seguir para ler mais um pouco, e no seguinte, até que o requisitei. Tenho algum orgulho em ter encontrado este livro assim, é a minha pequena versão de destino. Como se o livro me estivesse a chamar ou estivesse à minha espera, o que é extremamente adequado à sombra do vento, como descobrirão se o lerem.
Isto foi o que me convenceu:

“A Sombra do Vento é um mistério literário passado na Barcelona  da primeira metade  do século XX, desde os últimos esplendores do Modernismo até às trevas do pós-guerra. Um inesquecível relato sobre os segredos do coração e o feitiço dos livros num crescendo suspense, que se mantem até à ultima página.”*

É um livro que me deixa com uma ressaca quando o acabo de ler, quando saio desse mundo em que estive emergida (sou da opinião que só os bons livros são capazes de fazer isso). Como disse acho que isso diz mais de mim do que do livro. O meu livro preferido não é feliz e tem muita desgraça. E pelo que tenho vindo a reparar é uma coisa recorrente no que diz respeito às histórias que me tocam.

Ora eu uma vez li, e parafraseio, para além de estar apaixonada, estar triste dá-nos algo em que pensar, foi uma frase que passou despercebida da primeira vez que a li, mas que aparentemente não me esqueci. É a razão que dou a mim própria para as minhas preferências literárias, que enquanto a felicidade é algo que todos procuramos, é a desgraça que nos faz pensar.

Marta Valente


*Zafón, Carlos Ruiz, A Sombra do Vento, publicações dom quixote, Lisboa, 13º edição, 2008

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

AGORA SIM, HÁ LUGAR PARA TODOS!

Após uns anos em que o país passou por aumentos de eletricidade e gás, dois bens que são essenciais em casa de qualquer ser humano, finalmente temos neste orçamento de estado para 2016 uma medida que vai ao encontro das necessidades das pessoas.
Não querendo com este artigo tomar qualquer posição política, tenho de na mesma saudar esta iniciativa do Bloco de Esquerda em conjunto com o Governo de dar acesso, mais rápido e menos burocrático, à tarifa social de eletricidade, a mais um milhão de portugueses. E tenho de saudar tal iniciativa, não só por ela ir ao encontro daqueles que mais sofrem para pagar as suas contas, mas também pelo facto de tal medida, não acrescentar qualquer despesa ao Orçamento de Estado, pois será a EDP, uma empresa com milhões de lucros e, os produtores de energia que irão suportar tais custos.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Finalmente as pessoas!

Leva-me hoje a escrever, o facto de o Primeiro Ministro Português estar ao longo destes dias a lançar num canal do Youtube, com o nome “República Portuguesa”, uma sequência de vídeos onde se dirige a todos os portugueses para explicar o Orçamento de Estado para 2016.
Temos finalmente um governante em Portugal que preza pela transparência e que nada quer esconder aos portugueses. Temos um governante que nestes vídeos assume as escolhas do governo por si liderado, quer elas sejam polémicas quer elas sejam muito bem aceites por todos.
António Costa está a demonstrar a toda a classe política que as pessoas devem ser sempre informadas e devem sempre estar a par da política do seu país. Para terminar quero dizer uma frase que nunca me hei-de esquecer e que foi proferida por um docente universitário numa palestra: “Não podemos aumentar o PIB (Produto Interno Bruto) sem primeiramente aumentarmos o FIB (Felicidade Interna Bruta)”. Temos de ter os portugueses felizes e motivados e só assim poderemos ter um país melhor.


sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Habemus Governante

Aquando das legislativas do ano passado todos deram António Costa (AC) como derrotado. Eu próprio esperava nada mais que uma derrota, e aguardava com espectativa que competências o nosso Primeira Ministro (PM) teria para lidar com a derrota. Este demonstrou-nos o imaginável, pegou na derrota e virou a mesma de pernas para o ar, saindo do pódio com uma vitória.
Nesse dia tirei o meu chapéu a esta personalidade que passei a admirar. Atenção, nada disto está relacionado com ideologias, mas sim com a competência como ele joga.
Porém, apesar de não ter propriamente uma identidade ideológica igual a este ou ao anterior PM, AC não se demonstrava a meu olhar como um líder de uma nação, em contraponto com a forma como eu via o seu antecessor. Era um PM, mas não era o meu PM.
Hoje Sr. PM AC é o dia em que passa a ser o meu PM. Fez-me uma promessa tão absurda que eu acreditei. O meu desejo para que ela se torne verdade fez de mim crente. E fico aqui esperando que se cumpra.
Sr. PM não ceda, não rasgue um mapa cor-de-rosa, e não aceite o Ultimato. Marchemos não contra os bretões, mas a favor do portugueses, dos cidadãos europeus e dos cidadãos do mundo. Marchemos juntos, não por unidade partidária, não por unidade étnica ou religiosa, mas sim pela unidade ideológica que une todos os cidadãos do mundo - o FUTURO.
Se a minha pequena ilha poder existir no meio de todos os Lóbis que nos envolvem, e poder influenciar um infinitesimal da sociedade já deixou sua pegada neste mundo. UTOPIA é o seu nome.
Um bem haja Sr. PM,
RS



Noticia relacionada:
http://www.msn.com/pt-pt/noticias/mundial/governo-recusa-exce%c3%a7%c3%b5es-para-o-reino-unido/ar-BBpqpLY?ocid=spartanntp

terça-feira, 3 de novembro de 2015

A visão do Expresso - Uma direita liberal com forte sentido de missão

O Expresso vem hoje afirmar que “Passos fez convites para Governo de um mês”. O jornal refere vários comentários dos governantes atuais e dos que cessaram funções e todos convergem para uma ideia – A direita não vai governar e ela sabe-o.
Nesta prespectiva que o Expresso vem colocar em cima da mesa fazem-se notar o sentido de missão que todos estamos à espera dos nossos governantes. Aqueles que cessam funções são descritos como felizes fugitivos, e aqueles que ficam como fachada provisória.
De facto os comentários apresentados demonstram uma direita rendida, e a não fabricação de um rascunho orçamental (pelo actual e anterior governo) mostra um postecipar de problemas para um próximo governo. Governo esse que só pode ser uma alternativa de outros partidos com assento parlamentar ou de iniciativa presidencial, pois Passos não está disponível para ficar em gestão.
Com tanto sentido de missão quem irá pagar o atraso no cumprimento dos deveres orçamentais para com a UE?

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Novidades políticas a 25/10

À parte opiniões - O Comentário:

A previsível atitude do ex-primeiro ministro José Socrates vem avisar que este veio para liberdade para a exercer na vida pública e politica os seus plenos direitos.
Enquanto isso, todos os candidatos às presidenciais vêm a público criticar o atual chefe de estado. O mais brando, faz critica pela "positiva". Marcelo aproveita que Cavaco tenha deitado fora a possibilidade de um governo de iniciativa presidencial e informa que quer uma convergência onde caibam todos os que têm acento parlamentar.

Entrevista da TVI de Judite de Sousa Vs Jerónimo de Sousa

Na entrevista da TVI de Judite de Sousa Vs Jerónimo de Sousa, o Secretário Geral do PCP tenta explicar à entrevistador que as legislativas servem para eleger deputados e não o executivo.
A leitura que o comunista faz dos resultados sufragados no dia 4 é a de que os eleitores não querem a direita no poder. Já quando questionado sobre o porquê de não cumprir a tradição de rejeitar os governos do PS, o líder do PCP diz que não faria uma moção de censura à direita, nestas circunstâncias, sem a garantia de uma alternativa melhor, mesmo não sendo a ideal.
Assim sendo, Jerónimo deixa o seu objectivo claro, derrubar PSD_CDS - "e não é coisa pouca". Nesta entrevista foi também revelado que não existiu contactos à esquerda antes do dia 7 (pós-eleições) e que quem tomou a iniciativa foi o PS.
Relativamente às divisões no partido, após alguma hesitação, informa que a resolução do comité central do pós eleições foi votado por unanimidade.
Quanto ao discurso do PR, o deputado afirma que as condições que tem vindo a pedir reúnem-se em António Costa e não em Pedro Passos Coelho. Diz também que foi o pior discurso desde 74, onde um presidente procurou ser um tutor do seu partido, invocando razões inaceitáveis para as suas decisões. Jerónimo não quer ver os mercados e entidades estrangeiras a ditarem quem é o próximo executivo português.
Durante o programa Judite é informada que o PCP não procura lugares no poder, que está de boa fé nas negociações e considera que tem de haver um resposta imediata de governo, onde a vontade da maioria dos portugueses é respeitada. Já quanto a uma estabilidade a quatro anos, essa não pode ser garantida e a mesma só existirá enquanto as medidas do governo forem boas para o povo, trabalhadores e pensionistas.
Por fim afirma que o partido comunista não abdica dos seus ideais e que não receia que o partido se esvazie do ponto de vista ideológico e tem a certeza absoluta que a CGTP lutou durante 4 anos para derrotar o governo CDS-PSD.